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Enquanto muitos de nós ainda nos fixamos no julgamento de que criptoativos não seriam sequer ativos — ou de que seriam voláteis demais, imaturos ou estruturalmente defeituosos —, o mercado de ativos digitais passou por transformações profundas nos últimos anos, atraiu a atenção dos reguladores (inclusive no Brasil), conquistou status de classe de ativos e superou a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado global.
Em sintonia com o avanço regulatório, os bancos locais se movimentaram. Ao perceberem um volume crescente de recursos de clientes vazando para exchanges especializadas, passaram a oferecer produtos ligados a criptoativos em suas próprias plataformas, abraçando duas teses de uma só vez: atratividade geracional e tendências tecnológicas.
Mas, enquanto o mercado de varejo avança, investidores institucionais seguem proibidos de investir em criptoativos. Uma superproteção que, paradoxalmente, tende a aumentar — e não reduzir — o risco, porque restringe as possibilidades de diversificação das carteiras em um ambiente já carente.
Sem sequer entrar no mérito dos criptoativos em si, cabe questionar as restrições específicas impostas aos investidores institucionais, que os afastam de outros investidores profissionais no mercado brasileiro. Reduzem escala ao forçar a criação de um nicho atendido por produtos “enquadrados”, gerando ineficiências e custos desnecessários. O resultado é o oposto do pretendido: prejuízo à rentabilidade das carteiras e ao fomento da previdência complementar.
Por fim, vale exaltar dois aspectos já mencionados: atratividade geracional e tendências tecnológicas. Criptoativos despertam maior interesse entre as gerações mais jovens — justamente aquelas com as quais a previdência complementar tem maior dificuldade de dialogar. Previdência também é coisa de jovem, não é? E, muito além do bitcoin, os ativos digitais integram tecnologias como stablecoins, blockchains e tokenização, que se propõem a revolucionar a vida de todos nós em um futuro breve.
Diante disso, vamos aproveitar as assimetrias existentes ou seguir estigmatizando esse mercado?
